HOJE a Igreja Católica assinala na leitura bíblica a Carta do apóstolo Paulo aos Colossenses, incluindo o capítulo 3 com os versículos 18 e 21... No primeiro a recomendação de SUBMISSÃO das mulheres e, logo depois, no 19 o pedido aos maridos para serem bons com as esposas... e o 21 fala dos servos obedecerem atentamente aos seus amos...
Oras, São Paulo trabalhava como tecelão de redes quando visitava as comunidades, ainda que textualmente explicitasse que tinha 'direito' ao um soldo como pastor, não o fazia para aliviar aos irmãos... e ele nunca viveu a experiência comunitária plena da igreja de Jerusalém, ainda que coletasse as contribuições para auxiliar aqueles que, tendo vendido seus bens, passavam o tempo aguardando o 'iminente' retorno de Jesus... desprovidos dos meios para o seu sustento...
É claro que Jesus não deixou claro algumas coisas e em outras deu exemplos tão acima do comum: multiplicação de pães para matar a fome, pesca de um peixe com uma moeda para pagar o tributo à Cesar... que era difícil extrair dali lições para o cotidiano desprovido da graça miraculosa...
No entanto, onde está que essa 'nova vida' abandone os prazeres simples que o Mestre usufruiu? Alimentação, companhia, os festejos de uma boda, tudo isso vivenciou... no entanto, Paulo em sua matriz farisaica vai marcando uma postura que vai se expandir e tornar-se dominante... e ainda com a sua própria condição que permite o celibato...
Não... há coisas que intuitivamente incomodam... por mais que o 'magistério' tenha em outros momentos referendado... a submissão feminina... a aceitação de uma ordem social injusta... pois 'irmãos' não podem ser 'servos'... e por fim a própria permanência de um 'amor-que-coisifica'... a mulher-objeto... quando se fala de 'caridade', 'cáritas'... e fala-se de amor, mas sempre desprovido de algo que está inerente a natureza humana... posto que diante da 'adúltera', Ele não condenou e apenas recomendou que não mais pecasse segundo aquela Lei... mas prometeu a salvação também a samaritana, que não sendo judia e ainda com uma situação marital duvidosa... teria acesso à água da vida...
Somos no entanto lançados a essa situação... marginais aos costumes... e sentindo que de certo modo, não estamos excluídos, que no fundo... não 'pecamos' por mais que gritem... pois ainda que tão carnal como possa ser o sexo... ainda é e deveria ser... uma expressão de amor mesmo que momentânea e um prazer que louva ao poder que nos proporcionou a vida e a capacidade de amar....